quinta-feira, 1 de junho de 2017

COTAS SIM!

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No tocante a aprovação essa semana de cotas étnicas na Unicamp, um eterno aluno me questiona em rede social porquê sou a favor das cotas. Fiz uma breve reflexão: 

Dizer não as cotas é dizer q não existe um abismo entre brancos e negros, entre brancos e indígenas no Brasil. Nós negr@s saímos em total desvantagem na corrida por qualquer coisa. E as cotas são parte das "indenizações" que não recebemos quando da falsa abolição, que colocou nossos ancestrais nas ruas com uma mão na frente e outra atrás. Não precisaríamos de cotas se nós, negros e indígenas, não fôssemos os mais pobres. Não precisaríamos de cotas se não houvesse racismo. As cotas não são um fim, elas são um meio pra chegar a uma equidade mínima, quem sabe... Embora no capitalismo elas sejam importantes numa perspectiva de resistência, ainda são muito paliativas, mesmo assim, não podemos abrir mão, pelo contrário, ampliar de forma estratégica todos os direitos, nenhum direito a menos! Pelo direito às cotas!


terça-feira, 23 de maio de 2017

Happy hour de professoras acaba nisso...




Depois do happy hour com minhas amigas e também colegas de profissão para comemorar o inicio de mais um ano letivo, fui para casa pensando nas inferências feitas por elas sobre minha visão de educadora. Das palavras profissionais e missionários, me surgiram várias ideias, mas resolvi simplesmente brincar e pensei na seguinte analogia: imagine deparar-se num happy hour com um operário ludita, um operário cartista e um operário soviete? Peraí, e se os três, ao invés de operários fossem professores, como seria esta conversa?

 Guardadas as devidas proporções e claro com alguns exageros que a crônica merece, segue abaixo uma suposição para essa conversa:
O professor ludita defenderia que os verdadeiros culpados pelo fracasso da escola são os alunos desinteressados. E proporia o fim do alunado. "Vamos acabar com o mal pela raíz!" - diria enraivecido. (Tal como os operários luditas que destruíram as máquinas no século XIX, por considerarem que elas os substituíriam). Já o professor cartista iria propor reivindicações ao governo, para ele o real responsável pelos problemas na educação, inclusive, solicitaria que os professores fizessem parte de um percentual do senado federal. (Tal como os cartista do século XIX, que viram na ação politica, a possibilidade de mudanças na precária vida operária). E o professor soviete, afirmaria que só com a formação de um conselho nacional de educação, constituído apenas por professores, alunos e pais é que seria possível revolucionar a educação brasileira. (os sovietes foram os conselhos formados por camponeses, operários e soldados russos no processo revolucionário 1905/1917).

 Imaginemos que a conversa seguiria noite a dentro, com defesas, réplicas, tréplicas a exaustão, até que o dono do bar solicitasse que os três senhores pudessem sair, pois ele gostaria de fechar. Neste momento, os três professores se uniriam contra o dono do bar, vendo nele um inimigo comum, desagregador, que não os deixa defender suas propostas, que quer vê-los pelas costas, alguém contrário às mudanças. Para você leitor fica a pergunta: numa analogia quem poderia ser o dono do bar?

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Adoniran é zica!



Outro dia uma aluna minha da 3ª série me disse: “Prô Janaína, você é Zica!”. Zica sempre me remeteu a coisas ruins, só descobri depois que Zica é coisa boa hoje em dia. E por aí vão os termos mudando e mudando, como as gerações.
Me lembro bem que anos atrás trabalhei com meus alunos da 6ª série, uma releitura de Saudosa Maloca, desafiando os alunos a escrever os versos em norma culta... A maloca realmente ficou saudosa, não dava mais pra cantar como Adoniran Barbosa, perdeu a identidade. Pena que na época não trabalhei o preconceito lingüístico (por falta de conhecimento). Hoje, quando trago Saudosa Maloca pra sala de aula, além de falar dos problemas urbanos, trato também das variações e preconceitos com relação aos sotaques.

Nunca escutei ninguém dizendo que Adoniran falasse errado, costumam dizer que “é a mistura do português com o italiano”. Ele teve suas canções interpretadas por belas vozes como as das saudosas  de Clara Nunes e Elis Regina. O problema não é de fato as variações da língua, mas o preconceito contra quem fala. Ninguém discrimina Adoniran porque ele  era filho de imigrantes italianos, era artista, sambista, paulista!

Fico estarrecida quando ouço meus alunos da EJA simplesmente se conformarem que falam errado, e não terem consciência das origens da fala. Passam a ter vergonha de falar, de se expressar, de compartilhar.

Concordo que precisamos ter uma base como referência, principalmente na educação, afinal, linguagem é o pensar, o fazer, o refletir, e quanto mais ampla a linguagem, mais possibilidades de se ampliar o pensamento. O que não significa de maneira alguma que só é amplo o pensamento de quem conhece a norma culta.

Não tenho dúvidas de que para ampliar o vocabulário de meus alunos de forma significativa tenho que incentivá-los a leitura, ler de Machado de Assis a Marcelino Freire, passando por Ferrez e Guimarães Rosa.

Assim como não tenho dúvidas de que posso compreender as coisas da vida ouvindo Abrigo dos Vagabundos de Adoniran Barbosa, Construção, em norma culta pra ninguém botar defeito, de Chico Buarque, com o baião de Luiz Gonzaga e ainda mais com Negro Drama dos Racionais Mc's e como diz o Mano Brow na “Gíria não, (no) dialeto!”.


E já que está frio e vou “homenagiá” o meu blog com um trechinho de “As Mariposa” de Adoniran:

“As mariposa quando chega o frio
Fica dando vorta em vorta da lâmpida pra si isquentá
Elas roda, roda, roda e dispois se senta
Em cima do prato da lâmpida pra descansá”

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domingo, 26 de março de 2017

Anos incríveis em DVD!!!

Da série:  Séries que você não pode deixar de ver nesta vida!

Finalmente saiu em DVD uma das melhores séries de todos os tempos (por enquanto só até a terceira temporada).
No que diz respeito aos conceitos de mimeses e catarse essa série é arrebatadora. Eu não tô falando de The Walking Dead, rs,  mas de The Wonder Years (Anos Incríveis)!
A série retrata a vida da classe trabalhadora, branca, nos EUA, no fim dos anos 60, início dos 70, na perspectiva de um adolescente e seus dramas singulares e ao mesmo tempo universais e sua família tradicional.
Aqui temos um recorte muito bem feito do cidadão médio estadunidense, suas ações, sua consciência política, seus anseios, o "american dream", e como pano de fundo as questões macro políticas da Guerra Fria, a Guerra do Vietnã, a luta por direitos civis, o movimento hippie, as influências da TV, da música, etc.
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A série foi ao ar no Brasil em meados dos anos 90 pela TV Cultura, e tem episódios no YouTube. Vale
a pena a maratona!!



sábado, 17 de dezembro de 2016

A escolinha do morro, a professora e os estudantes.

  Em 08 de março de 2007 (Dia Internacional da Mulher) ingressei como professora de Geografia no CE 406, também conhecido como SESI Itapark. Passei a lecionar Sociologia a partir de 2010. Foram cerca de 10 anos letivos, encerrados no último dia 07 de dezembro. Foram MUITAS BATALHAS DE IDEIAS E MUITAS PROBLEMATIZAÇÕES. Aqui divido um pouquinho dessa experiência.

A escolinha do Morro

A escola fica no alto do morro no Jd Itapark, um bairro bem periférico da cidade de Mauá. Acho que por isso me identifiquei rápido, pois vários estudantes moram no mesmo bairro que eu, outros vinham de outros bairros igualmente periféricos da cidade. Uma escola pequena, sem grades, com visão para todas as salas de aula, quase uma utopia pros dias atuais.

Um detalhe muito bacana eram as releituras feitas por estudantes por toda parte da escola, que tornavam o ambiente quase uma pinacoteca. As obras chegaram a ser expostas no CAT, conhecido como SESI do Zaíra. Com destaque para um quadro gigante da obra do pintor italiano Sandro Botticelli, O Nascimento de Vênus, que impressionava pelos detalhes muito idênticos ao original, pintados há mais de uma década por estudantes coordenados pela professora de arte. Sem dúvida um legado dos estudantes para escola, mas que ano passado foi APAGADO com tinta branca, de forma arbitrária, sem consulta à comunidade escolar. A pinacoteca foi desmembrada também e acabei ganhando uma releitura do Caribe de um dos meus alunos do 2º ano do Ensino Médio. Uma pena, porque não se APAGA obras de arte, seria o mesmo que entrar na capela Sistina e pintar os quadros do Michelangelo, todos ficamos bem chateados, que fique registrado.

Soubemos que a escola era chamada por alguns colegas de outras unidades de "escolinha do morro", uma referência pejorativa à sua localização periférica e a condição socioeconômica dos estudantes. Num primeiro momento isso soou muito ruim aos meus ouvidos, mas tempos depois coloquei isso ao meu favor nas aulas de Geografia, sempre buscando a construção da autoestima dos estudantes. 

No mês de setembro foi anunciado que a escola seria fechada e os estudantes transferidos de forma compulsória para outra unidade, mas uma grande mobilização mostrou a força dessa comunidade escolar, e pais e estudantes reverteram a situação, porém, os alunos do Ensino Médio foram remanejados para o Zaira, e tivemos a redução de aulas dos professores remanescentes.

A professora e os estudantes!


No inicio tudo foi difícil, porque entrei pra substituir um professor muito querido (que veio a falecer dois anos depois), e as turmas tiveram certa resistência, assim como muitos colegas de trabalho, porque, como deve imaginar o leitor que me conhece, eu já chego chegando. Aos poucos estabelecemos uma relação, que cada vez mais foi ficando intensa.

Conheci pessoas que se tornaram mais que colegas de trabalho, pessoas com quem aprendi muitas coisas, principalmente nas divergências, e que levarei para sempre, referências na prática de ensino e aprendizagem, e parceria no dia a dia, sobretudo a construção do respeito pelos estudantes. E não posso esquecer que foi nessa escola que conheci minha referência de coordenadora, que fez com que muitas coisas, incluindo a burocracia, passassem a fazer sentido pra mim, além de ser uma pessoa com quem tive muitas trocas e afinidades.

No CE 406 pude viver algo que dificilmente se repetirá: acompanhar os adolescentes do 6º ano do Fundamental II ao 3º ano do Ensino Médio. Isso foi incrível meus amigos!!!!

Acompanhar essa fase e aprender a compreendê-la, com todas as mudanças que isso envolve. E lembrando que nem tudo foram flores, porque, afinal de contas, tantos anos de convivência trazem conflitos, contradições e a própria rotina nos cansa, é uma máquina de moer gente, como diz o poeta, além disso, todos passamos por mudanças ao longo dos anos, os adolescentes ainda mais.

Eu aprendi a lecionar Geografia na prática de sala de aula, e fui aperfeiçoando a relação professora /  alunos com o tempo, sempre incorporando o mantra: a aula é nossa. Quando iniciei o trabalho com Atlas Geográfico foi uma experiência muito boa pra mim, espero que pra eles também tenha sido. As aulas de Sociologia foram um desafio, porque não tinha nenhuma experiência com Ensino Médio, mas logo peguei o jeito e tivemos altos e baixos, afinal, com uma ou duas aulas por semana,construir vínculos é muito difícil. Logo entendi que se desse mais voz aos estudantes as aulas poderiam ser mais interessantes, e os seminários foram fundamentais neste processo, com grupos me surpreendendo ano a ano. Me tornei a professora dos "temas polêmicos" e também do audiovisual, porque sempre tinha um indicação de filmes para os assuntos trabalhados.

Aliás, falando em filmes, eu sempre tive um pra cada ano: Uma História de Amor e Fúria, Central do Brasil, Panteras Negras, Tempos Modernos, Em Boa Companhia, Crash, no limite, Segunda-feira ao Sol e Beleza Americana, são alguns dos longas que trabalhei, além de muitos curtas e séries para mobilizar, problematizar ou sistematizar os conteúdos.

Muitos frutos como professora tenho colhido ao longo dos anos, quando recebo a devolutiva dos estudantes sobre o que aprenderam com nossas aulas. A sala de aula não tem um produto acabado, o que construímos é algo totalmente inconcluso, e vira e mexe recebo notícias de meninos e meninas com alguma boa lembrança.

Conheci estudantes maravilhosos, incluindo os que hoje posso chamar de parceiros de utopias, na possibilidade de construção de mundo melhor.

De garotos que me dizem que passaram a pensar sobre o suas ações machistas ou homofóbicas, à meninas que passaram a pensar no feminismo como forma de construção da autoestima. Me tornei também uma referência quanto a identidade étnica e racial, sendo procurada, inclusive, para denuncias de práticas racistas na escola.


Foram centenas de estudantes que conheci nestes 10 anos letivos e não citarei nomes porque será injusto se esquecer de alguém, mas podem se considerar todos contemplados aqui, e saibam que nesse processo de ensino e aprendizagem, eu certamente aprendi muito mais com vocês do que o contrário! Na relação do dia a dia em sala de aula, se o estudante não é seu maior parceiro, a docência pode ser apenas um amontoado de frustrações.

Tenho muitas histórias pra contar mas cada um delas daria uma crônica, assim, conforme for me lembrando, contarei.

Muitos alunos me perguntam por que eu quis sair da rede se tinham mais coisas boas que ruins, e devo dizer que isso foi um processo construído. Eu entrei com planos pra ficar apenas 5 anos e com o salário um pouco melhor, construir minha casa, alcancei minha meta, mas aí fui ficando, e como muitos profissionais da educação, parei de me dar conta do excesso de trabalho, e isso vai nos adoecendo, além de não ter tempo pra fazer mais nada, como cuidar de forma mais qualitativa do meu filho. Eu sempre brincava com as colegas que todo ano era o último, porque ficar até me aposentar (piada! rs) nunca foi um objetivo! Mas pra resumir isso, recentemente numa entrevista do Pedro Cardoso pra Trip, ele disse (no tocante à Grande Família) "que tudo deve durar o tempo de nossa saúde", e acho que isso serve pra tudo na vida! Saio da rede com muitas aprendizagens, inclusive com apresentação de prática docente, publicação de trabalho, ou seja, com algum reconhecimento profissional, e com a certeza de que fiz o meu melhor, e sobretudo fiz da forma como acredito que deve ser, sem colocar minha dignidade e ideais em risco. Estou feliz e sigo tranquila para outros desafios.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O curta, o canto e uma longa história.

Nos últimos anos pude vivenciar várias experiências com audiovisual. Os cursos de educomunicação fizeram muita diferença na minha formação como professora e, como consequência, na minha prática docente.

Nos cursos aprendi a amar ainda mais a fotografia, aprimorar minha admiração pelo rádio e entendê-lo uma mídia extremamente versátil que se adequou às inovações tecnológicas, e sem dúvida pude viver uma paixão com audiovisual e com a produção de curtas metragens. Fiz muita coisas com os estudantes nos projetos e durante as aulas.

O mais recente curso que participei foi o Minuto Escola, do Festival do Minuto, com o desafio final de criar um curta metragem. Partindo das técnicas, dos filmes minutos assistidos, fiquei pensando numa narrativa que contasse uma história forte, e não deu outra: tinha que ser algo sobre minha mãe, dona Genilda, a quem dediquei o curta

Lembrei de filmes que tenho como referência, cuja história parte da perspectiva de crianças, e pensei em lembranças da infância. Outra referência, foram as narrativas que começam e terminam com um ponto em comum, esse elemento funciona como um coringa. Escrevi num pedaço de papel alguns fatos que conecto no tocante à separação dos meus pais. Fatos esses, que mudaram o curso de nossas vidas (quando digo nossas, me refiro à minha mãe e nós, seus 4 filhos). 

Mas como contar de uma forma leve, algo que foi tão dolorido pra nós? Desenhos? Animações sempre parecem mais leves, e das mãozinhas do Raul, meu filho (11 anos) brotariam os desenhos. Outro elemento importante pra mim: minha mãe cantava muito ouvindo rádio, enquanto trabalhava na máquina de costura. Pensei que um samba daria a liga na história, porque, o outro personagem da narrativa, meu pai, tocava bandeiro. Além disso, os sambas também vinham da vitrola que minha saudosa vó, dona Terezinha, nos deu, e a vitrola foi um dos estopins da separação...  isso na minha perspectiv, e já tinha aí, minha narrativa.

Das coisas que me lembro é um curta sobre uma longa história, uma história que foi da minha mãe, mas poderia ter sido de várias outras mulheres, negras, nas periferias de São Paulo, que trabalham muito, e enquanto trabalham  costumam cantar canções que espantam seus males.


segunda-feira, 25 de julho de 2016

Nossa Web Série saiu: Não Faça Bullying Com Meu Cabelo!!

Os estudantes do Projeto de Educomunicação "O Grito do Glicério" finalizaram com o auxílio de seus professores o primeiro episódio da Web Série "Igualdade na Diferença". Neste episódio as estudantes questionam a padronização dos cabelos e o preconceito. Assista!!! 


COTAS SIM!

  No tocante a aprovação essa semana de cotas étnicas na Unicamp, um eterno aluno me questiona em rede social porquê sou a favor...