José Saramago se tornou, hoje, literatura.

"Tudo quanto não for vida é literatura"
 (Em: A história do cerco de Lisboa).

     Morrer é condição sine qua non para todos nós. Mas seria interessante a morte interromper suas atividades, como em "As intermitências da Morte", ou ainda pensar que a morte de vários inocentes poderia ter sido evitada se José não tivesse guardado a informação do anjo só para si, como no "Evangelho, segundo Jesus Cristo". Que Blimunda via as pessoas pelas entranhas, e é uma personagem forte e marcante de "O Memorial do Convento". As mulheres em Saramago têm dons especiais, são a expressão da força e luta.
    Preocupa-me viver num mundo sem escritores como Saramago. Preocupa-me que vivamos na "Caverna" do consumismo, seres isolados como um "Homem Duplicado", ou á deriva como uma "Jangada de Pedra". Há muito deixamos o "ensaio sobre a cegueira", estamos cegos, e nos falta reflexão para o "ensaio da lucidez”!
    Aprendi muitas coisas com Saramago, com seus personagens e suas reflexões humanistas, comunistas. Ele demonstrou que podemos manter nossas convicções até o fim.
    Sua forma de escrever peculiar mostra que pensar e, comunicar o que se pensa, vai muito além das normas gramaticais. Espero que as novas gerações possam conhecer este homem de espírito comunista, como costumava dizer, através da riqueza literária que nos deixou.

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