Abril pra crise: escola pública urgente!


Costumo dizer que o mês de Abril é "abril pra crise", pois em geral é um mês em que o quadro docente já está num alto grau de estresse, e muitos chegam às últimas consequências que é a exoneração do cargo.  Este ano, o mês de Abril é o mês do trinta e dois.

Na última quarta-feira, a imprensa divulgou que cerca de 32% das escolas estaduais de São Paulo têm problemas com falta de professor. Quem está nas redes, conhece sempre alguém que não pensou duas vezes em exonerar de uma escola estadual quando teve oportunidade (esta semana mais uma colega, da área de Língua Portuguesa, exonerou do Estado).

Em outra discussão a imprensa divulgou que 32% dos alunos matriculados na Unicamp são oriundos das escolas públicas.

A grande questão das duas notícias são os 32%, o que significam: sem professores as chances de termos mais alunos das escolas públicas matriculados nas Universidades Públicas é cada vez menor (mesmo com a política de cotas).

E como resolver esta equação?

Como professora me sinto impotente diante de tantas questões que presencio todos os dias e isso causa uma grande sensação de desespero. Entendo os que exoneram, pois, pra resolver esta equação teríamos que resolver um dos problemas primordiais da sociedade capitalista: a luta de classes. A classe trabalhadora é que está na escola pública, só que de forma tão alienada quanto nos demais espaços públicos. A escola na sociedade capitalista cumpre a função de disciplinar, conter, manter ocupado. E aí, eu poderia fazer uma grande dissertação teórica sobre o papel da escola nesta sociedade e blá, blá, blá... Mas há questões que precisam ser resolvidas imediatamente.

Lidamos com um espaço insalubre para professores, crianças e adolescentes. O tempo estendido do aluno na escola significa apenas menos tempo na rua e não mais aprendizado. Portanto, ensino integral NÃO é garantia de educação de qualidade.
Além disso a estrutura de prédios enormes que aglomeram pessoas em espaços fechados, aumenta a tendência de conflitos e violência. Portanto, menos alunos por sala e  diminuir a aglomeração nestes espaços insalubres seria um meio de diminuir ( e não acabar) com a violência.

Não se trata apenas de discutir novos projetos para a educação, trata-se de discutir outra sociedade em que se possa pensar educação.

E enquanto isso vamos burlando o esquema e junto com a molecada, vamos tentando sobreviver a tudo isso. 


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